Arthur e Escola

Arthur e a escola, escolas...

A vida acadêmica do Arthur começou cedo. 

Entrou na primeira escola com 1 aninho. Ele não gostou nem um pouco. Ficou bravo comigo mas depois se acostumou. Era uma escola de Educação Infantil que aceitava bebês. 

Lá ele ficou até os 3 anos de idade, período das mudanças, da transformação do nosso filho.

Como não entendíamos nada sobre Autismo ou que estava acontecendo com o Arthur ficamos sismados com a escola, desconfiados de que algo pudesse ter acontecido com nosso filho lá dentro e procuramos outra escola.

Mal sabíamos que seria tão difícil encontrar uma escola para o Arthur...

A mudança para a segunda escola trouxe resultados bem negativos. O Arthur passou a apresentar um comportamento que até hoje não entendo. Ele ficou agressivo e por mais de uma vez o vi aceitando sugestões para bater em mim ou em coleguinhas. As crianças falavam: - Bate nele, Arthur! Bate em mim! Bate nela! - e o Arthur batia!! Em uma ocasião ele jogou a roda de um triciclo no coleguinha, a roda era grande. Que desagradável e grave aquela situação. Com isso a escola me falou a seguinte frase: - Olha mãe, seu filho está estudando porque é a nossa escola, qualquer outra não o aceitaria.

Levantei e calmamente solicitei o cancelamento da matrícula do meu filho daquele lugar.

Bom, aquela foi apenas a primeira vez que ouvi algo do gênero:

- Aqui não é lugar para crianças como seu filho!

- Existem escolas especializadas para crianças assim.

- Teremos uma atividade diferente na escola, poderia ficar com seu filho em casa hoje?

- Mas a gente trata seu filho com tanto carinho!

- Não, não, aqui tratamos todos os alunos do mesmo jeito!

E o Arthur foi para a terceira escola. 

Não ficou lá nem por seis meses. Ele estava bastante agressivo. Jogava as coisas no chão, batia nas professoras, colegas, quebrava lápis, rasgava cadernos.

Imaginem só o quanto ele estava sofrendo!? Ele não sabia explicar o que estava passando dentro da cabeça dele. Ele não entendia porque havia mudado, o que tinha acontecido.

Vou interromper minha escrita para abraçar e beijar meu filho agora!

Na época eu fazia um curso técnico no mesmo horário em que o Arthur ficava na escola. Tranquei matricula para tentar ajudá-lo. Eu já tinha parado de trabalhar e agora não podia estudar... Enquanto corria de um lado para outro em consultas, exames, busca por escolas, a depressão vinha se aproximando devagar...

O Arthur já estava com cinco anos quando saiu o laudo diagnóstico, finalmente. Através de um exame, que o convênio não cobria e que durou 4 dias, a neuropsicóloga entregou o documento de quatorze páginas onde concluiu: Espectro Autista.

Com o laudo em mãos as coisas melhoraram. O Arthur foi para uma escola que o aceitou conscientemente. Ele entrou no ano em que completou 6 anos. A sinceridade de uma coordenadora ajudou muito meu filho e a mim. Ela dizia assim: - Seu filho sobe pelas paredes, literalmente! E foi também nessa escola que ouvi falar sobre escolas para autistas. A coordenação sugeria que eu procurasse uma AMA (Associação Amigos do Autista) e experimentasse. Eu não fui de início.

No primeiro ano o Arthur se saiu muito bem. Se alfabetizou junto com a classe, a professora - que tinha como foco um trabalho com alunos de pós graduação, não se incomodou com o jeito do Arthur e o trouxe para a turma de uma forma respeitosa. O Arthur aprendeu muita coisa, foi excelente como aluno. No segundo ano foi diferente. Soube que o Arthur ficava embaixo da carteira. Um coleguinha de classe me disse que a professora achava que o Arthur tinha um pão na cabeça no lugar do cérebro. Foi um péssimo ano mas no terceiro as coisas melhoraram.

No terceiro ano da escola o Arthur participou de tudo, trabalhos, apresentações, fazia as lições de casa e ia aprendendo até que a escola mudou de endereço...

Quando a escola foi para um prédio maior e com isso juntou os alunos de todas as três unidades que possuía, o Arthur ficou sem entender nada. Ele achava que a escola tinha sumido, falava que tinha ido para um outro planeta. Ele parou de aprender, chegou a agredir a professora uma vez. Então encontrei uma escola para autistas...

Foram oito meses terríveis para o Arthur.

Todos os dias ele pedia para ser tirado de lá. Era ele quem chamava as crianças de loucas. O repreendia dizendo que não se deve falar assim de ninguém. O Arthur estava alfabetizado havia mais de dois anos e lá, nessa escola para autistas ele tinha como lição as vogais. Nosso filho pegou um tique de cada criança, tinha mês que ficava piscando sem parar, no outro mês fazia outra coisa, sempre pedindo para sair. Lá não havia sistema de séries, nem sei qual sistema era usado. As próprias professoras olhavam para o Arthur e choravam. Decididamente lá não era lugar para ele.

Devo ressaltar que a escola ajudava muitas famílias mas também vi crianças muito espertas, que baixavam qualquer jogo num celular que não sabiam escrever o próprio nome. Curioso isso...

Tirei o Arthur do AMA e ele ficou em casa comigo o resto do ano. Corri o risco de ser denunciada num Conselho Tutelar. Durante esse período busquei ajuda em uma empresa chamada Mentes Notáveis. O penúltimo colégio onde o Arthur havia estudado teve uma parceria com essa empresa. Eles disponibilizavam um portal para os alunos estudarem Língua Portuguesa e Matemática em casa, no computador. Entretanto o Arthur só teve acesso enquanto era aluno daquele colégio.

Com coragem entrei em contato com a empresa e contei a história do Arthur. Falei que precisava de ajuda para ele não ficar sem estudar. Eles foram super compreensivos e nos deram uma conta gratuita. Uhu!

O Arthur se empenhou como nunca! Estudava, fazia as tarefas, se esforçava por entender. Eu tinha prometido que se ele estudasse direitinho eu o levaria de volta àquela escola que ele dizia amar. A escola onde aprendeu a ler e escrever e tinha ficado por quase 3 anos.

No início do ano letivo seguinte cumpri o prometido. Ele voltou ao 3º ano e está até hoje no colégio que ama.

Nesse ano de 2018 o Arthur cursa o 6º ano do Fundamental II mesmo tendo tido um 5º ano muito ruim, ele se formou.

Temos vivido episódios interessantes no Fundamental II. A questão com a Língua Inglesa foi um deles. O Arthur tem facilidade com Inglês mas a escola não o deixava participar das atividades junto com a classe. Foi estressante fazer a escola entender que tem disciplinas que o Arthur pode acompanhar a turma sem adaptação. Sei que é difícil para todos lidar com essa "NEURODIVERSIDADE" tão presente hoje. Compreendo mas não posso deixar de lutar pelos direitos e sonhos do Arthur. Ele ama falar em inglês. A matéria sobre Sistema Solar em Geografia também trouxe grandes dificuldades de entendimento com a escola; o Arthur ama o espaço e aprendeu sobre esse assunto sozinho. A escola quase o tirou das atividades e tive que intervir com veemência... se é que me entendem.

 

Com a atenção da Delegacia de Ensino da região, sob o olhar do Supervisor de Ensino, o trabalho da neuropsicóloga da escola e da professora que o acompanha durante as aulas regulares e na sala de recursos, o apoio da coordenação, da orientação e da direção o Arthur vai logrando resultados. Já consegue ler o enunciado, entender e resolver sozinho problemas matemáticos, faz apresentação em inglês e outras coisas.
 

Ter esse grau de comprometimento da escola não foi simples. A Delegacia de Ensino teve que ser acionada e depois de muitas e difíceis reuniões, conseguimos!

Uma equipe multidisciplinar está constantemente ajudando o Arthur. Ele vai ao neurologista, à psicóloga, faz jiu-jitsu, tem o amor das avós, do pai e eu estou à disposição para tudo.

Sabemos, porém, que o trabalho não acabou.

Temos visto o Arthur se desenvolver. Desde 2017 vem produzindo livros e sabemos que a escola tem um papel muito importante para que ele alcance a indispensável confiança.

Arthur voltando da escola, 2019

Profª Lili, com ela o Arthur adquiriu confiança e coragem. Foi por incentivo dela que ele se descobriu desenhista.

Congresso Estudantil de 2016 da escola com o tema Inclusão

Representante do Sebrae na tarde de autógrafos organizada pela escola do Arthur - livro A Dona Corujinha, 2017

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